Olá gente da minha terra!
Peço desculpa pelos meses de silêncio mas, como não tenho net em casa, não dá para vir deixar umas fofocas! De qualquer maneira, o dano também não é grande, pois não acredito que existam assim tantas almas desnaturadas, dispostas a perder tempo a ler as parvoíces que escrevo.
Bom, posso adiantar que trabalho quase todos os dias no pub e que já não aguento o cheiro fétido de cerveja e a visão de barrigas gigantes e permanentemente sequiosas.
A experiência no pub tem sido agridoce, assim mais para o azedo! Trabalhar num pub inglês é o equivalente a ser-se enviado para uma selva com o intuito de estudar de perto o comportamento de animais selvagens. (peço desculpa pela comparação: os animaizinhos não merecem).
O pub é o habitat natural de um bife e por vezes sinto-me uma espia, sinto que não tenho o direito de testemunhar os comportamentos e hábitos grotescos desta gente.
A parte boa desta experiência no pub é o facto de me ter ajudado a cimentar a minha opinião sobre os bifes que são, na generalidade, um caso perdido!
Passo a apresentar as evidências:
Prova nº 1: Quando comecei a trabalhar no pub, fiquei com a impressão de que os velhinhos eram todos amorosos e que nutriam por mim um sentimento paternal. Não podia estar mais enganada. São mesmo é uns grandes porcos, sempre a arrastar a asa para cima de mim. No outro dia, um deles disse-me: “ estou mesmo a precisar de uma namorada como tu”. Fingi que não ouvi e voltei-me para a televisão. Passado dos segundos, o estafermo do velho voltou a repetir a afirmação, desta vez, quase aos berros. Não gostei, mas educadamente, disse-lhe que já estava comprometida. (Nisto, outra besta disse-lhe que me ia casar com um chinês). O homem começou a rir e a proferir comentários extremamente racistas, ex.: “Ai vais-te casar com um pingue-pongue?!”. Pronto, foi o suficiente para soltar o leão que vive dentro de mim e tive que lhe responder: “Nem no cemitério me hão de ver ao lado de um inglês!”. A resposta dele foi pegar nas muletas e berrar: “Não fales até experimentares”. E, pronto, a conversa acabou por aqui, pois, se eu voltasse a abrir a boca seria, apenas, para soltar jactos de vómito em todas as direcções.
Prova nº2: Poucos dias depois de ter começado a trabalhar (comecei um pouco antes do Euro), uma mulher horrenda e mais dois ou três animais que não sabiam que sou portuguesa, começaram, primeiro, a dizer mal do Cristiano Ronaldo e, depois, a gritar que os portugueses são todos uma merda e que se vissem um português dentro daquele pub, era para o matarem!
A minha reacção foi pegar numa imperial e ir chorar para o quintal das traseiras. Fiquei triste pá! Não vejo qual é a necessidade de manifestações desta natureza. Não se pode odiar um povo só porque a equipa de futebol dessa nação é melhor que a deles.
Posso adiantar que o incidente acabou com o meu chefe, aos berros, a dizer que não queria conversas dessas no pub.
(Nota: o meu chefe é o maior. Apesar de ser inglês, consegue perceber que há algo de muito errado com os seu compatriotas).
Ps: As bestas, mais tarde, pediram-me desculpa e, hoje em dia, vivemos numa paz podre. Um deles até já tentou comprar a minha amizade ao trazer-me uma barra de chocolate. Amigo, nunca me hei-de esquecer do que aconteceu, por mais que goste de chocolate…
Prova nº3: Passado cerca de um mês de estar a trabalhar, fui abordada por um sujeito, com cerca de 25 a 29 anos, que me pediu o meu nº de telemóvel. Apesar de não gostar deste tipo de situações, fui educada e, com um sorriso, exlpliquei que não era possível pelo facto de ser comprometida. (Têm que concordar que fui muito simpática pois, não tenho obrigação de dar explicações a ninguém e, além do mais, também omiti o facto de que mesmo que fosse solteira, o gajo só iria obter o meu número por adivinhação). Mas pronto, o gajo disse ok e virou as costas. Desde esse dia, nunca mais me dirigiu a palavra. Por mim tudo bem, há gente infantil por toda a parte. Infelizmente, a história não acabou aqui. Passados dois meses, o sujeito foi até ao pub com um grupo de amigos e, numa ocasião em que eu estava a limpar umas mesas ao pé da dele, o gajo gritou “Olha a vaca portuguesa”. Pronto, fiquei de rastos e, mais uma vez, fui chorar para o quintal das traseiras.
Quando o meu chefe chegou e me viu naquele estado, deu-me um abraço, arrancou-me o porquê e foi por o gajo na rua, para não mais voltar.
Prova nº 4: Detesto o facto de ver crianças e bebés no pub.
Não acho mal que os pais levem as criancinhas com eles quando lhes apetece ir beber um copo mas, o pior é que isso de ir beber um copo nunca acontece. O que acontece são pais irem embebedar-se à grande e levarem as criancinhas atrás. Epá, passar os dias enfiados num pub nunca foi nem nunca será sinónimo de infância feliz!
Esta semana, assisti a uma cena revoltante que envolveu uma mãe bêbeda e a sua filha, que não tinha mais de 7 meses. A miúda era muito querida e sossegada mas, a mãe, não contente com isso, conseguiu gerar ali um episódio digno de um filme de terror.
Antes de contar o que aconteceu, vou ter que explicar que, pork scratchings, são uns aperitivos que se vendem nos pubs e consistem nuns fritos nojentos e enormes feitos de pele de porco (até se vêm os pelos). Ugggghhhhhhrrrdsdagsf!
Voltando à história. A criancinha estava sentadinha no carrinho de bebé e a mãe decidiu que a miúda tinha que provar estes tais fritos (como já referi, a criança não tinha mais de 7 meses e os fritos são enormes, rijos e nojentos). Como tal, começou a empurrar fritos pela boca da criança! O resultado foi digno de um filme de terror. (Acreditem que aquela cena no filme do exorcista em que a miúda está possuída e começa a vomitar uma substância verde, parece muito soft comparada com o que ali se passou). Sem aviso prévio, a miúda começou em convulsões, acompanhadas de umas golfadas imagináveis de vómito preto!! Foi tão assustador que cheguei a pegar no telefone para ligar para as emergências! Nunca tinha visto uma coisa assim. A pobre criança só parou de vomitar quando se cobrir toda em porcaria! E a mãe, ficou em pânico? Claro que não! Pelos vistos fui a única, porque depois de limpar e tirar a camisola da criança, a mãe abandonou a bebé e foi até à rua fumar um cigarro!
Prova nº 5: Também a semana passada, em conversa com um dos habituais do pub, reuni mais uma prova de que os bifes são um caso perdido. Este homem, com cerca de 60 anos, disse-me, com muito orgulho, que nunca teve um passaporte e que nunca há de ter. Ou seja, nunca saiu do reino unido e não tem a mínima curiosidade de ver o que se passa para além deste conjunto de ilhas! Muitos parabéns! Levas o prémio Besta de Ouro!
E pronto, não vos quero cansar mais e acho que este apanhado que aqui fiz chega perfeitamente para perceber como é que esta gente funciona, ou melhor, não funciona ou deixa de funcionar. Há gente boa, como o meu chefe, mas, no geral é um povo muito tacanho e triste!